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Gente

GENTE

Daniel FV - 30/06/13

Hei de ser rocha ou metal
Aquele que é mais humano
Há de se erguer tão real
Aquém do grito ecoando
E perene aos prantos
Na moenda da noite
Enquanto a manhã espera
O escárnio da dor
No limiar de transpor
O limite de besta fera
Na extensão que se lasca
Viceja o olhar transparente
Pois gente será sempre gente
Indiferente sua casca
Ou berço opulento
A dor se fará presente



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Sigo

SIGO
(Daniel FV - 28/06/13)


Sigo brincando de dizer verdades
Vez em quando eloquentes
Levando um sorriso estoico
Sigo nada ou tanto heroico

Sigo ao poente, por onde for
porque recuar não é opção
Recuam as nuvens, ideias, e gentes
O tempo e a palavra seguem correntes

A mão estendida ao lado...
O corpo estirado do outro...
A paz já tão desejada
No limiar da alvorada

Se me ouves, pai gentil
Saibas que não me queixo
Tenho lá minhas primazias
Segundo tuas profecias

E se és mesmo bom ouvinte
Dai-me aquela dor certeira
Pra seguir ou sucumbir
Carregando minha bandeira 





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Jogo

JOGO

Daniel FV (25/06/13)


O peão que era amansado
Fadiga patente no rosto
O selo nos quartos de gado
Na boca, sabor de desgosto

Nos olhos, impresso o cifrão
Nas mãos, o calo que aflora
No sonho, a tal pretensão
De lutar como fora em outrora

E eis que em data sublime
Ergue-se em fúria o punho
E a voz em sangue redime
O cego e vil testemunho

E agora no fronte sacode
O jugo imposto ostentoso
E grita em tão própria ode
O seu desabafo ruidoso

Ainda não sabe o desfecho
De tão coagido motim
Só sabe que esse é trecho
Da grande peleja sem fim

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